quarta-feira, 17 de outubro de 2012


Adeus, adeus! Disse-me apenas para me reter a vida
E arremessá-la nas cinzas das horas.
Mas entre o adeus e a partida instalou-se em meu coração
Uma chama, que me acendeu o desejo e a esperança.
Suas mãos a me segurar, fixando o tempo que nos restava
Seus olhos a enganar minha futura solidão
Seus olhos bebendo meus sonhos
Sua boca fortuita a me roubar a respiração
E depois: adeus!
As mãos ainda grudadas sem um limite de pele
Adeus, adeus! Sem querer despedir-se de mim
Adeus, adeus! Amando-me mais
Adeus enfim, para me matar a saudade de nós
Adeus, adeus!  A rosa de nossas horas cravou-me
Um espinho no peito, para me lembrar no sangue
o arrebol das horas perdidas.
Adeus!


Fassura

2 comentários:

  1. Srta, lembrei de Adriana Calcanhotto fazendo menção á Manuel Bandeira nessa canção:

    "Ainda tem o seu perfume
    Pela casa
    Ainda tem você na sala
    Porque meu coração dispara?
    Quando tem o seu cheiro
    Dentro de um livro
    Na cinza das horas..."

    Really perfect!

    Sinta-se abraçada e amada...

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