sábado, 13 de outubro de 2012

Encarnado


Cubra-me de vermelho
Manto nobre do amor
Esse escarlate de céu e inferno
Que sempre agradece a dor que recebe
Que num minuto inunda e noutro é deserto
Que se regozija em caminhar em dois extremos
Paz e desassossego
Que lateja no peito como presságio de morte
Sua chaga só é fluxo de vida
Pressentimento de ventos
Sonhos outonais com folhas caídas
Tão bom que mal há de tornar
Tão mal que sempre há um bem querer
Antes do desavisado engano se erguer
Tão antes, tão depois, tão agora
Que só o infinito enquanto dure pode assegurar o presente
A dádiva de avermelhar a vida
De prazer cobrir o corpo cansado da ida
E perpetuar nessa segunda pele
A volúpia do encarnado

3 comentários:

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  2. Ahhhhhhhhhhhhh! Meu querido Devaneio Atento! Meu doce Devaneio! Saudades senti eu! Bem, Srta Fassura, como posso expressar o que senti com esse poema? Se me pego subtraído por sentimentos tão meus, tão íntimos. A provocação - quase absurda - que tinge minh'alma da mais angustiada maravilha escarlate. Deus! Dói e me compraz essa ironia de ter dentro de si algo tão nobre e desgraçado como amar! Ah, senhorita! Só tu o sabes como eu, o quanto! Só tu o sabes...

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