terça-feira, 16 de outubro de 2012

Negado pelos árcades


Acaso sou pastora de antigos pastos?
Acaso meu rosto não se decide nos traços,
Sou Marília ora de cabelos loiros ora negros?
Acaso tenho olhos  oscilantes entre o azul e o negro?
Acaso meus modos são rudimentares?
Acaso sou campestre e cismo em refletir a calmaria do rio,
Ou vivo em porfia dentro de mim, de tal modo que não sei que eu sustentar?
Acaso toco flauta para os rebanhos acalmar?
Acaso sorrio mediante a tosca pedra imóvel
Que tenta inutilmente respirar?
Acaso choro como as tempestades,
Ou guardo um soluço morno no silêncio?
Acaso sigo os passos das árvores,
Ou minha raiz acompanha o breve tinir da minha existência, apagando a cada pegada?
Acaso me escondo atrás de um nome, cuja criação não passa de uma desculpa?
Acaso vivo sem identidade?
Ah, acaso, por acaso, sou muitos homens...
Todos em breve dispersão de si e desaguando em  mim
Da natureza também tenho hastes,
Mas não da serenidade.
Sou esse caos que nela foi negado pelos árcades.
E me faço um espasmo de tempo.
Pra viver de acasos.

Fassura

2 comentários:

  1. Srta, árcade ou não, clássica ou neo-clássica, provinciana ou peninsular, nada importa! Deixe-se nesse futuro-pretérito e viva o hoje de ontem, o atual hoje, o hoje pré concebido no futuro. Viva, minha cara! Viva rindo-se interiormente de pedras e ria do reflexo espumantes dos rios e porfie suas visões ampliadas de sua própria existência! Isso é essencial, minha cara!

    Sinta-se abraçada e amada...

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