sábado, 24 de novembro de 2012

Anônimos, um brinde!!!

Meus escritores são meninos e meninas, 
que brincam de poema, 
que têm gosto pelas letras não gastas, 
e pelas refeitas, por palavras perdidas, 
por sonhos improvisados numa linha. 
Eles, estes meus amigos, 
são poesia na forma de nuvem, 
na forma de rosa, e às vezes, na de espinho. 
Mas são generosos!! Generosos... 
presenteiam com honrarias, especiarias, 
cuja essência vem da alma. 
Brindam com palavras, 
com discursos que estão no porvir de verbos não conjugados, 
na espera do desassossego. 
Andam com asas... 
Ah estes meus pássaros,
que cantam até quando mudos... 
que espelham...  que espalham pegadas pelo céu...
que carregam o infinito no pedaço branco de papel.


Fassura

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Anônimo

Era rosto sem rosto
coração sem forma 
tempo ainda não nascido


Era um traço no acaso
Beleza invisível
Sem cor e sem brilho

Era um grito de verdade
Na imensidão do infinito
Coração de vidro

Uma lágrima vaporosa
Luz negra, radiosa
Um formato vão, no vazio


Era vento enclausurado 

uma estação no anonimato
Um olhar caído ...


Autoria: Fassura; Roselane Calhelha; Luiz Fernando Cabal; Bruno Serdera e Marcella Cobian

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Espaço em branco




Tudo pra mudar
                       todo mundo
tudo mudo
                  muda tudo
                                   muda todo
              toda muda
todo modo
                   molda tudo
                                       toda moda
                   medo mudo
                    todo mundo
                    muda tudo

muda moda
molda mundo


Fassura

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Almirante vermelho




Quisera eu ser Borboleta
Almirante vermelho
Quando o frio chegasse
Voaria até você
Largaria as divisas
Por quilômetros voaria
Voaria à noite
Buscaria os prados
Recolheria o néctar de teus lábios
Esconder-me-ia entre as flores
Faria floreios
Tingiria de vermelho nosso amor
Deixaria a cor soturna para trás
 Atrás das nuvens
Na aquarela azul viveria
Viveria no gerúndio
Amando você

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Ondulante


Dormir e dormir
e ir pelo sono.
Em caravelas míticas partir,
ir antes do sonho,
desbravando o mar
com a quilha de meu coração.
E por fim recriar.
ar
ah
ar
e dormir um sono sereno,
tranquilo como as vagas ondas ,
que se debruçam sobre o leito
do oceano e nunca dormem.

sábado, 3 de novembro de 2012

Vasto canto


Sempre fora assim: uma versão à meio caminho de mim. Logo eu, que tanto desejava achar-me. Logo eu, que me supunha inteira. Pergunto-me todos os dias onde me deixei perdida.
Mas à meio caminho da desesperança, prefiro ficar aqui. Aqui, aqui sim, neste canto. Escondendo-me do porvir. Preso às memórias reinventadas, que ressurgirão num espelho enganador, com um reflexo, que só pode ser outro e não eu.
Dia desses resolvi sair. Saí assim, por sair, sabe, sem grandes motivos? Para quê um motivo? Basta-me a vontade de ir. Não sei ao certo que pé apontou-me a rua. Ah, para quê saber? Faz diferença que pé me iniciou o caminho estando eu já nele? Estando. Está aí, esse gerúndio, pairando sobre mim. Essa inevitável forma de alongar o que não se quer perder. O gerúndio equivale à espera, ou à esperança, aquele bichinho verde que se camufla de folha. Bichinho engana/dor. Agora deixando o verde e voltando à rua. Eu desesperei  _ verbinho desavergonhado esse, que sempre me acompanha _  vi um mundo ao contrário do canto: vasto e mudo de tantas sinfonias. Era um corre-corre  em desatino, uma lucidez insana, que  só cabia num quadro de Picasso. A forma estava lá toda retorcida, pedaços mal encaixados, brincando de geometria.
 O sufoco fez-me querer a volta, o canto apertado das coisas não partidas, no qual só minha “inlucidez “ cabia, e cabia de tal forma, que me era normal. Bonita _ eu diria. Eu parecia um retrato impressionista, singelo, com um movimento enquadrado. Uma alucinação bonita. Contudo o mundo me vendo, não me compreendia. Rotulavam-me à gosto de sua geometria, questionando as torrentes de pinceladas, que me faziam tão eu, tão nada, tão tudo.  Por fim voltei para o canto. Meu canto sem partida. Véspera do meu desassossego, em que aprecio estar perdida.

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

A minha avó

Ela segurou minha mão como se fosse uma criança. A mão dela tão desgastada pelo tempo. Tão mais vivida que a minha. Essa mão que carrega a textura dos tempos, das gerações que sustentou. Eu... eu a segurei como uma mãe faria.

Sem trégua

Ela tinha saído com calor, 
na volta começou a sentir um frio. 
Um friozinho daqueles que vem sozinho. 
Abriu o livro e começou a ler. 
E foi pega de surpresa, 
já estava de mãos dadas com a tristeza. 
A indesejada de todos estava na página,
à espreita, dando corda a esperança,
para depois desalentar.
Matou o dia
matou a trégua
matou o sonho
matou
e a leitora pôs-se a chorar

Fassura