sábado, 1 de dezembro de 2012

Canto de um Andarilho


Onde está o canto
Agora que vivo no canto
Fugiu do tanto
De tanto que o mundo fingiu
Meu manto agora é ponto
Sem coroa ou cetro
Vivo agora sem teto
Uso farrapos de pano
Até em meu recôndito
Sem conto de trono
Meu tempo já não tem ano
Só teto de céu
Dia e noite
Um conto de fel
Andarilho sem trilho
É isso que sou
Sou nada
Porque amei o nada
Vivi o nada
Falei o nada
E nada me viu
Por onde andei?
Acho que nem sei
Vivo sem norte
Mas tenho lei
A rua é minha casa
Meu canto sem abrigo
Meu céu sem asa
Na rua escuto o estalido
Meio sem sentido
Sempre distante do canto
Onde está o canto
Agora que vivo no canto
Meu canto se esvaiu
Agora tenho voz embargada
Meu tom já partiu
Só me restaram horas vagas
Sem azul anil
Meu tempo tem paradeiro disperso
Sempre incerto
E o canto, ah o canto
O canto saiu
Deixou-me com saudade no peito
Agora choro sem jeito
E só me resta um canto
Onde recoste minha cabeça
E prove o algoz pranto
Um vazio de mim



Fassura

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