sábado, 1 de dezembro de 2012

Faces de mim nos saltos do tempo






Vivi das texturas: das paredes, da terra, do colchão, do chão
Acariciando os relevos ásperos da história
Pisando e revolvendo a terra convulsa
Dormindo num leito macio
Onde tudo morre e renasce
Como a luz escondida nos belos dias cinza
Vivi corrente de ar de mundo
Mudo mudado
Desnudo
Vivi água cálida de praias perdidas
Que trabalham ninando pequenos barquinhos
Vivi vento, soprando, contralto
Vivi grave desatino de tempestades em mim mesmo
Vivi vivendo sorrindo sendo
Vivi vendo, flutuando
Vivi rindo chorando
Vivi caminhando em pensamentos fora do tempo
De ontem
De hoje
De amanhã
Vivi em castelos
Em casebres
Vivi do céu, pairando sobre tetos crepusculares
Vivi nos ares
Vivi na terra, nas estradas da vida trilhada por emoções
Vivi canções
Vivi em meio à turba gente
Vivi meio indigente
Vivi as faces de mim nos saltos do tempo


Fassura

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