quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Tinha um andar arrastado,
O mundo nas costas,
Os olhos no chão,
Levava a vida sempre no não.
De cabeça baixa sondava a razão,
Mas desiludido deixava a questão.
Queria um ponto sem nó,
Um canto sem dó,
para melodiar só sua canção.
Queria, mesmo, era a vastidão,
Mas andava pequeno em si:
com medo de  desatrelar da multidão.
Pensava baixinho: se o amor é a quilha do coração, 
a quilha da liberdade deve ser a revolução.



Thamires Fassura



quinta-feira, 22 de agosto de 2013

O dia corre com a máquina do tempo
Os homens maquinam sem vento
aonde enxertar em si o que não se é.
Uma guisa de homem e robô,
a era da virtualidade emocional.
Não se é em si.
Só 
aparato do mundo
uma engrenagem enferrujada
de tanto prantear a ambição desconcertada
querendo o infindo
de uma missão mortal:
alcançar o céu.



Thamires Fassura


quinta-feira, 18 de julho de 2013

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Borbolete/Ar

Essa alegria triste
de correr a vida
em um ponto fixo
de procurar
de adorar
o desalinho do tempo
para se tornar crisálida
metamorfosear
e ressuscitar  no vento
e borboletear a história
sugando o néctar
da flor da pele
da flor da alma
do sol que no fim nunca há de se pôr
mesmo quando borboleteando de mim
o eu se for



Fassura

sábado, 2 de março de 2013

Nasci semente fecunda
brotei vida
virei flor
meu corpo é toda aveludada pétala
minha alma pólen de amor
Mas tudo isso só se deu
pela lágrima que me choveu
e minha estirpe alimentou





Fassura

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Sob o escárnio de alquebradas esperanças
nascem as mazelas de um desconhecido
ainda dormindo na senzala do tempo não esquecido
ainda fingindo navegar em futuras lembranças

Aquele homem, meu amigo, ainda  não dito
brinda a noite mal descansada
perdido nas margens reversas de uma enseada
afago dos pobres rotos silenciados no finito

Guardador de sonhos
Comprador de despesas
Cura/dor de espaços vazios

Esse meu irmão triste
que se ausenta de si
e cisma de gritar em mim


Fassura




sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Virgulevando o tempo

Virgulei palavreadas esquinas,
cortando espaços sonoros 
de uma rima
frouxa,
vivificando melodiosos espasmos 
de uma língua afoita
por dizer o inaudível coração,
para no fim do escasso ar,
efeito do vento entrecortado,
terminar num ponto de ilusão.


Fassura

sábado, 9 de fevereiro de 2013




Ah, meu peito anda latejando nessa vida!
Nessa vasta vida de fluído sangue,
Pulsando entre e pelos passantes.
Tudo é fluxo divino:
Essas cores rubras de luzes nunca esgotadas,
Esse tempo gasto que me é sempre tão surpreso.
Ah, toda essa passagem de desespero,
Toda  essa manutenção sofrida  de planos imperfeitos!
Nesse plano vivo improvisado.
Sou quando:
Sempre refeito antes de meu próprio tempo.
Sou urgente, porque já fora  futuro ausente,
Sempre deslumbrado com a mente,
Este meu ente querido, que me acompanha no ritmo perpétuo,
Que vibra quando escureço, e me entorpece quando acendo.
Ah, toda essa ascendência de infinitos corações,
Com escondidos batimentos saudosos das milhas que hão de vir,
E com guarida certa nos abraços que levarão.

 Fassura

sábado, 12 de janeiro de 2013

Pergunta



Mente minha casa
meu pássaro
em que céus habitarei
sem sua ávida
imaginação

Que nuvem servirá
 de trampolim
para meu pequeno
corpo mergulhar
nas incertezas do vento

Como planarei
entre a razão e a emoção
de ser infinito
nesse curto espaço de tempo


Mente minha casa
meu pássaro
como desmentirei
a invenção de ser
sem tuas asas

Como me farei sem ti
meu pássaro

Como poderei sonhAR
se me  faltar o ar entre as plumas


sem sua bela voz fina
mente meu pássaro
Como hei de a vida cantar?


Fassura

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013





Há algo de pássaro azul nela
quando brinca de voar
inefavelmente entre nuvens de sonhos.
Suas plumas se agitam 
antes de quedar-se na liberdade do vento.
Salta nos floreios do vento
e,em uníssono com ele
canta um estribilho sem tempo
Ela é sempre presente
é dádiva azul
de mar 
de céu
de noite
sem o peso do chão
é atmosfericamente substancial 
Mutável em sua forma
feito água
tão vital
tão ondular
E nasce desse sopro de vontade
que se chama gente
Um pássaro azul,
A imutável esperança do espírito,
que gorjeia:
                    Liberdade...
                              



Fassura